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THE BEAST WITHOUT THE BEAUTY

Na natureza tudo é equilibrado: o feio é equilibrado com o bonito, a beleza com a monstruosidade, o bom com o mau. Tudo está em perfeito equilíbrio. In perfect balance. Isto, porque um só pode ser entendido em função do outro.
O conto “A bela e o Monstro” tem como fundo este conceito, além de que o que se revela à superfície, nem sempre é o que verdadeiramente reside por baixo.
Isto tem a ver com a beleza do corpo e a beleza da alma e de como a sociedade valoriza mais uma em detrimento da outra.
Em “The Beast Without the Beauty” conta-se a história ao contrário: a besta, o monstro, existe porque assim é. Não existe em função do polo oposto. A besta é. Ponto.
E não sendo interpretada em função do conceito oposto, a besta pode ser apenas algo menos bonito, alguém cujo rosto desespera pelo conceito contrário. Ela olha temerosa por quem se aproxima. Tem medo desse ser que aos poucos lhe irá tirar a liberdade de existir, a irá aprisionar com preconceitos e ideias que nunca foram suas e das quais nunca partilhou. No fundo, a besta, o monstro, não passamos de nós mesmos aprisionados pelos preconceitos da própria sociedade. Sem a beleza, sem o amor, somos todos monstros. Acossados pela nossa própria solidão, pela nossa finitude, pela prisão que nos impomos a nós próprios nas nossas mesquinhas jaulas de carnalidade. Nesta jaula, observamos o mundo amedrontados, desconfiados, quase exasperados de incertezas e dúvidas.
Without the beauty, we are just monsters waiting to wake up.