COLLECTION ART STORY
(GUIAS DA COLECÇÃO)
Fotografia Digital(1995-2008)

UNKNOWN ARTIST

O Unknown Artist surgiu conceptualmente em 1992 no ambito de uma produção diarística: "Cartas a UKW" (92-96) e "Entrevistas por UKW" (1992).
Segundo o artista, "de cada vez que olho para este personagem, apenas vejo a minha própria imagem, os meus próprios olhos, mas como num outro indivíduo" ("Entrevistas por UKW", Sonho de uma Obra, Livro IX, Julho 1992).
O interesse por UKW regressa em 2001, com um projecto denominado "Artist Fiction" e que desenvolveu entre 2000 e 2005.
"UKW é o alter-ego artístico da minha personagem ficcionada. Tem uma produção artística paralela à minha. Imaginei-o capa de revistas, anúncios na Beaux Arts e Art Forum..." (in Diário Secreto, Maio 2001).
Em 2005, graças a uma Web Cam, o artista desconhecido sai do anonimato: pela primeira vez tem um corpo e pode ser "espiado" através da net no seu estúdio.
Algumas destas imagens foram agrupadas numa série a que chamou "White Self Portraits".
Ainda nesse mesmo ano, e seguindo o mesmo processo de trabalho, realizou "The Painters Lesson".
O Unknown Artist seguiu-se-lhe imediatamente depois.
Nesta primeira série, o artista reco-

lheu uma série de fotografias (todas da autoria da sua então companheira Inês Manta), interviu plásticamente sobre elas, pintando-as (grande parte dos originais eram a preto e branco). Nos olhos, o conhecido rectângulo branco, na margem ao fundo o nome inscrito, como se de uma marca se tratásse. Estes retratos assumem claramente uma aparência panfletária, cromáticamente atraente, como os cartazes que anunciam um produto qualquer.
As primeiras premissas teóricas estavam lançadas: tratava-se, em primeiro lugar, de uma crítica aberta ao sistema da arte, cuja estrutura cerrada promove artistas como se promovem carros ou estrelas de cinema. Usando a própria linguagem da publicidade (faichas, out-doors, cartazes, balões e t-shirts, etc) o artista promove o Unknown Artist, simbolo de uma arte em que o papel do autor é inferior aquele atribuido à obra: ou seja a "obra" é primazia sobre o seu autor.
Seguidamente, cria o Museu Virtual do Artista Desconhecido, um projecto artístico que se destina a glorificar o próprio percurso de um personagem que cresce autonomamente. O museu (aspiração máxima a que um artista vivo pode chegar, pois é símbolo de um reconhecimento institucional e, portanto, histórico) assume aqui o papel de obra artística, promovendo um artista completamente desconhecido, ou seja, contrariando todos os principios basilares pelos quais um verdadeiro museu se rege.


Unknown Artist V, 2006

Em certo sentido, o UAVM é uma manifestação viva daquela frase de Duchamp: " Tenho dúvida a respeito do valor desses julgamentos que decidiram que todos aqueles quadros deveriam ser expostos no Louvre em vez de colocar outros que nunca foram considerados e que poderiam lá estar" (O Engenheiro do Tempo Perdido - Entrevistas a Pierre Cabanne, Assírio & Alvim, Lisboa, 1990).


Informações / Informations Loja / Free Store Centro Educativo / Education Center Contactos / Contacts